O apanhador misantropo

JD Salinger

Documentários sobre celebridades tendem a ser chatos. Geralmente são um compêndio de declarações exageradamente elogiosas sobre o protagonista. Quando é chapa branca então,  beira o insuportável. Para dar uma apimentada, levantam-se algumas polêmicas e fofocas, segredos de alcova são divulgados. Tudo com aquele ar de solenidade.

Mas, quando o protagonista em questão é  J. D. Salinger, a coisa muda de figura. Autor de O Apanhador No Campo de Centeio (The Catcher In The Rye) ele ficou tão ou mais famoso do que sua obra clássica por conta de seu comportamento recluso.

Avesso a qualquer tipo de badalação e publicidade, ele criou (consciente ou inconscientemente) uma aura de mistério em torno de si que continua a fascinar a curiosidade do público mesmo depois de sua morte em 2010.  A revelação de qualquer fato de sua vida, por mais ínfimo e banal que seja, ganha proporção épica.

(É um exercício interessante imaginar como Salinger reagiria  a estes atuais tempos de fama a qualquer preço e bate-bocas e quiprocós esdrúxulos nas redes sociais. Arrisco dizer que ele acharia tudo isso uma tremenda idiotice e se afundaria ainda mais na solidão do seu refúgio).

É com a pretensão de ser o mais completo e devassador filme já feito sobre o romancista que acaba de estrear nos EUA Salinger. Dirigido por Shane Salerno e David Shields, o documentário tem a seu favor o fato de ter entrevistado 150 pessoas que conviveram com Salinger, além de críticos literários, romancistas e artistas famosos como Gore Vidal, Philip Seymour Hoffman, Tom Wolfe, Edward Norton, John Cusack, Danny DeVito e Martin Sheen. Outro trunfo é mostrar documentos e várias fotos inéditas de Salinger.

O documentário não se furta em repassar fatos já bem explorados como seus relacionamentos amorosos e o episódio mais fatídico envolvendo  sua obra famosa: o assassinato de John Lennon no dia 8 de dezembro de 1980 cometido por Mark David Chapman, que à época disse ter matado o ex-Beatle influenciado pela leitura de O Apanhador no Campo de Centeio.

Ainda de acordo com o documentário, Salinger deixou instruções para os responsáveis em administrar sua obra que ele teria cincos livros , alguns deles inéditos, para serem publicados, o que deve começar a ser feito a partir de 2015.  Junto com o documentário foi lançada a biografia, também intitulada Salinger, escrita por Salerno e Shields. O livro será lançado no Brasil em janeiro do ano que vem pela Editora Intrínseca.

Infelizmente, Salinger não tem previsão de estreia no cinemas daqui. Pelo menos o trailer do documentário está disponível na internet:

 

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