Os livros de papel vão mesmo acabar?

Livros

Nos últimos tempos, o tema acima vem aparecendo com frequência na mídia diante da popularização dos e-books. Executivos dos mercados de tecnologia, editorial e, principalmente, escritores são requisitados para darem suas opiniões e fazerem conjeturas.

Em matéria publicada nesta semana na internet pelo caderno Ilustrada (Folha de S. Paulo), MarioVargas Llosa fez uma previsão sombria. O autor de Pantaleão e As Visitadoras e vencedor do prêmio Nobel de Literatura declarou que o espírito crítico irá se empobrecer se as novas tecnologias fizerem o livro desaparecer. A afirmação foi feita durante sua participação no 6º Congresso Internacional da Língua Espanhola, no Panamá. O escritor peruano chegou ainda a dizer que “é preciso fazer todo o possível para que o livro de papel não desapareça”.

Maio Vargas llosa 6 Congresso Internacional Panamá

Apesar de não ser especialista em tecnologia, muito menos em mercado editorial e literatura, este humilde escriba não tem uma visão tão apocalíptica como a do nobre Llosa. Não acho que o livro de papel irá acabar.  Acredito que o que vai acontecer com os livros é algo parecido com os discos de vinil. Assim como tem gente que prefere ouvir música no velho formato bolachão (que tem um som mais “quente” devido aos graves, além do prazer proporcionado pela arte da capa e do encarte, pelo cheiro do vinil e até pelo simples ato de manusear o disco), tem gente que vai continuar preferindo ler suas obras e autores favoritos em papel. Para os leitores, o formato físico também oferece prazeres sensoriais: segurar o livro em si, a emoção de virar cada página, o cheiro do papel novo…

Em meio à correria do dia-a-dia, é inegável que o formato digital tem suas vantagens. Convenhamos: é muito mais prático carregar, por exemplo, Ulysses, o portentoso clássico de James Joyce, em e-book do que em papel, já que se trata de um calhamaço.

Mas uma previsão que se pode fazer com boa margem de certeza é que as pessoas vão continuar a escrever e a ler livros, independente de qual seja o formato. Afinal, os dois atos fazem parte da natureza humana desde que ela se entende por gente.

Livros são temas recorrentes na música, inspirando cantores e grupos dos mais variados gêneros. Este humilde escriba montou uma pequena seleção de artistas que são chegados num livro.

Frank Sinatra – I Could Write A Book:

Para começarmos bem, temos o velho “Olhos Azuis” cantando esta pérola da genial dupla de compositores Rodgers & Hart (Richard Rodgers e Lorenz Hart). I Could Write A Book foi escrita para o musical Pal Joey, de 1940, que depois virou filme. Inicialmente, Sinatra gravou a música como lado B do single I Hear A Rhapsody, lançado em 1952.

 

Suzanne Vega – Book Of Dreams:

Muita gente a chama, injustamente, de cantora de um hit só. Depois do sucesso fenomenal com Luka (do disco Solitude Standing, de 1987), ela lançou em 1990 o bom álbum Days Of Open Hand, cujo single foi justamente Book Of Dreams. Letrista sensível e muito observadora, Suzanne segue na ativa até hoje e prepara para breve um novo álbum.

 

Duke Ellington & John Coltrane – My Little Brown Book:

Simplesmente o encontro de dois gigantes do jazz. My Little Brown Book foi composta por Billy Strayhorn, pianista, compositor e arranjador conhecido por sua parceria de quase 30 anos com Ellington.

 

Elvis Costello – Everyday I Write The Book:

Compositor hábil, Elvis Costello sempre procurou dosar seu lado literário, mas sem perder a pegada pop. Como mostra nesta que é uma das músicas mais emblemáticas de sua carreira.

 

Ray Charles – Somebody Ought To Write A Book About It:

Além de filme, a vida de Ray Charles também daria um belo livro. Como ele próprio canta neste lado B do single Here We Go Again, de 1967.

 

Belle And Sebastian – Wrapped Up In Books:

Fazendo jus ao título, os “Reis do pop fofo” ambientam o clipe de Wrapped Up In Books numa biblioteca.

 

Talking Heads – The Book I Read:

Bem antes da carreira solo, David Byrne já exibia suas pretensões artístico-literárias à frente dos Talking Heads, como mostra nesta pérola que consta no disco de estreia do grupo, Talking Heads: 77.

 

Simple Minds – Book Of Brilliant Things:

Já tendo deixado para trás o experimentalismo e o clima pós-punk do início de carreira, o grupo escocês deu sua arrancada rumo às paradas de sucesso e arenas do mundo com o álbum Sparkle In The Rain, cujo repertório trouxe Book Of Brilliant Things. O vocalista Jim Kerr, por sua vez, começava a incorporar uma atitude épico-messiânica, à la Bono Vox.

 

King Crimson – Book Of Saturday:

Um dos expoentes do rock progressivo, o King Crimson experimentou uma espécie de “renascimento” em 1974 com Larks’ Tongues In Aspic. Em meio às habitais composições de longa duração, sintomaticamente, o grupo incluiu esta singela música de pouco mais de dois minutos.

 

Echo & The Bunnymen – Read It In Books:

Com uma sonoridade concisa e sem firulas, o quarteto de Liverpool fez uma estreia irrepreensível com o disco Crocodiles, que contém esta pérola.

 

P.S.: Bo Diddley – You Can’t Judge A Book By The Cover:

O figuraça Bo Diddley transforma o ditado popular “Nunca julgue um livro pela capa” em um blues irado. Originalmente, You Can’t Judge A Book By The Cover é de autoria de outro mestre, Willie Dixon.

 

2 Comentários

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2 Respostas para “Os livros de papel vão mesmo acabar?

  1. Não acredito que vão acabar. Certo é que as mídias digitais convergem muito das antigas mídias. Mas o prazer de segurar um livro na mão ou de levá-lo contigo seja onde for, são únicos!.

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